terça-feira, 18 de setembro de 2007

estrangeiro

aprendes a viver em qualquer cidade menos na tua. conheces os nomes das ruas mas as pedras que pisas são sempre insuportáveis. percorres os caminhos um por um mas nenhum te leva aonde queres ir. são bairros e quarteirões que se transformam em súbitos labirintos da dor. gostas da luz mas até as avenidas podem entardecer ao meio-dia. és estrangeiro a cada instante e desejavas sempre estar noutra cidade qualquer. para talvez no exílio teres saudade da vida. e a distância se transformar num respirar de regresso.

2 comentários:

Carla disse...

Dizem que o tempo cura e que esses caminhos vão-se tornando menos dolorosos até que passam despercebidos... Hoje não sei se é verdade aqueles caminhos de sempre assustam, são maiores e, sem darmos conta, tornamo-nos pequenos sem saber o que fazer com o que está à nossa volta... Mas o tempo tem que curar, não podemos fugir.. Só o tempo pode ajudar...

Pinky disse...

Peço-te que me permitas que discorde.
Sinto por vezes isso, que tão bem descreves, mas precisamente na cidade que não é a minha... A minha aprendi a amá-la. Não sei bem como, se calhar não aprendi, talvez sempre a tenha amado, mas só me apercebi disso recentemente... Agora o que acontece é que às vezes tne sde te apartar daquilo que amas para o continuar a fazer. Nesta fase da minha vida, ficar seria odiar a minha cidade a médio prazo.
Tens é que continuar a tentar. Se estamos sós, ao menos a companhia da nossa terra-mãe.