e quando chegar o fim rezo
porque assim permaneço de pé
no meio das searas
já ouviste o pão rasgar
e o cheiro das estevas quando os dias
não acabam
sabes que fico em silêncio
mesmo que o vento se cale
e o fumo regresse
ao princípio de tudo
quando chegar o fim rezo
nessa voz estremecida com que te conheci
escorre o suor e não percebo
sento-me na barriga quente
o dia acabou
encosto-me na pedra
adormeço
as searas tremem em mim
terça-feira, 28 de outubro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
nem que fossem os filhos
«...
Conheço outros retratos teus onde também estás viva
um deles bem me lembro estava à minha espera em saint-malo
uma tarde ao voltar do monte saint michel
nesse verão bretão onde então procurava
justificação por mínima que fosse para a vida
numa das muitas fugas de mim próprio
que às vezes empreendo embora antecipadamente certo
de que só pela morte enfim me encontrarei comigo
com todos quantos verdadeiramente amei
alguns desconhecidos e alguns mesmo inimigos
sobretudo sedentos de justiça
de que depois somente de bem morto hei-de dispor daquela paz
que sempre apeteci mas nunca procurei
até por não ter tempo para isso nem sequer para saber
coisas simples como saber quem sou porque ao certo só sei
que muito mais passei naquilo em que fiquei
nem que fossem os filhos ou os versos
que fiquei muito mais naquilo onde passei
como passos na areia no inverno ou repentinas sensações
de me sentir de súbito sensivelmente bem
encher o peito de ar sentir-me vivo
...»
ruy belo - elogio de maria teresa
Conheço outros retratos teus onde também estás viva
um deles bem me lembro estava à minha espera em saint-malo
uma tarde ao voltar do monte saint michel
nesse verão bretão onde então procurava
justificação por mínima que fosse para a vida
numa das muitas fugas de mim próprio
que às vezes empreendo embora antecipadamente certo
de que só pela morte enfim me encontrarei comigo
com todos quantos verdadeiramente amei
alguns desconhecidos e alguns mesmo inimigos
sobretudo sedentos de justiça
de que depois somente de bem morto hei-de dispor daquela paz
que sempre apeteci mas nunca procurei
até por não ter tempo para isso nem sequer para saber
coisas simples como saber quem sou porque ao certo só sei
que muito mais passei naquilo em que fiquei
nem que fossem os filhos ou os versos
que fiquei muito mais naquilo onde passei
como passos na areia no inverno ou repentinas sensações
de me sentir de súbito sensivelmente bem
encher o peito de ar sentir-me vivo
...»
ruy belo - elogio de maria teresa
quarta-feira, 2 de julho de 2014
como desaparecer completamente
enterrei tantas memórias. escondi-as de propósito. e agora não as encontro. elas estão lá mas eu não estou aqui. era uma estrada que parecia infinita. era verão.
quinta-feira, 6 de março de 2014
era muito infantil
era muito infantil se te lembrasse dos
toques de chamada para as aulas
esse tempo último dos beijos
era muito infantil se te lembrasse dos
primeiros dias da primavera
quando os gestos ainda eram invernos
era muito infantil se te lembrasse das
horas que te esperei sempre no mesmo sítio
mesmo depois de me não quereres
era muito infantil e eu sei que acabou
sei pesadamente que esses dias não hão-de nascer
que a noite é uma estrada certa
fria, longa
onde não podemos falar
toques de chamada para as aulas
esse tempo último dos beijos
era muito infantil se te lembrasse dos
primeiros dias da primavera
quando os gestos ainda eram invernos
era muito infantil se te lembrasse das
horas que te esperei sempre no mesmo sítio
mesmo depois de me não quereres
era muito infantil e eu sei que acabou
sei pesadamente que esses dias não hão-de nascer
que a noite é uma estrada certa
fria, longa
onde não podemos falar
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
e se eu tiver de te seguir
and if I have to follow you, you will not rip this heart of mine in two
you cannot break this chain
but you can build a wall to shut me out if you so choose
you cannot break this chain
but you can build a wall to shut me out if you so choose
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
um poema para ti
uma folha branca vazia em silêncio
o teu riso inesperado
as tuas mãos sem mal
os teus olhos curiosos
o teu riso inesperado
as tuas mãos sem mal
os teus olhos curiosos
a única vida
tenho a certeza que nunca amarei nada mais belo
apesar de não saber como te amar ainda mais
e o teu sorriso revelar-me o quão infeliz era antes de ti
antes de seres a única vida que hoje há em mim
apesar de não saber como te amar ainda mais
e o teu sorriso revelar-me o quão infeliz era antes de ti
antes de seres a única vida que hoje há em mim
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
desejo-te o melhor
All the hearts are breaking over this
A testament to targets that we missed
If the highest mountain is a personal pursuit
I wish the best to you
It's better to be last than be too late
Stronger to have fallen and recovered from mistakes
Some days I stumble when these words, they have no weight
Then I get up again
Don't let the bastards get you down
Don't let the bastards get you down
They can go to hell
Matt Pryor – Don't Let the Bastards Get You Down
A testament to targets that we missed
If the highest mountain is a personal pursuit
I wish the best to you
It's better to be last than be too late
Stronger to have fallen and recovered from mistakes
Some days I stumble when these words, they have no weight
Then I get up again
Don't let the bastards get you down
Don't let the bastards get you down
They can go to hell
Matt Pryor – Don't Let the Bastards Get You Down
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
e é isto
olhar para trás também é isto. saber o tempo que se perdeu. e agora? olhar para a frente? não. olhar para trás e voltar a contar.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
5 de setembro
um dia bom para ver o futuro. para ter a certeza que ele existe. desistir teria sido mais fácil. ficar a única razão agarrada a mim. partir teria sido mais fácil. fincar a única maneira de ser. cravar os pés bem fundo e arrancar para longe de mim.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
é a tarde que morre
o fim das férias grandes, o fim do verão, do calor, da água fria. é como a tarde que morre. uma recordação que fica de pura felicidade.
nunca esqueceremos as noites quentes em que o verão se espreguiçava pela madrugada. e nada o podia interromper. o primeiro verão contigo. verão de tantos passeios, de tantos beijos e carinhos. cresceste sem pedir licença.
nunca esqueceremos as noites quentes em que o verão se espreguiçava pela madrugada. e nada o podia interromper. o primeiro verão contigo. verão de tantos passeios, de tantos beijos e carinhos. cresceste sem pedir licença.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
é o amor em que acordamos
Eu Seguro
Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.
Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho
Da carne que partilhamos,
Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.
Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.
Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto
Em que ambos cicatrizamos
E seguro.
Não receio o velho agravo que suturo.
Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraso os ramos secos,
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.
Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.
Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.
Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono
Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.
samuel úria
samuel úria
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
sonhar contigo
adormeço com os teus gestos ainda invisíveis. convivo com a tua agitação.
adormece comigo. deixa-me sonhar contigo. já falta pouco para nos vermos.
sábado, 12 de janeiro de 2013
tamanho mistério
poderia ter percorrido todos os caminhos do mundo. ter lido todos os livros. toda a poesia. todos os versículos. não saberia compreender, ainda assim, como existes sem te ter ainda conhecido. se nunca te vi e amo-te, só podes ser parte de um milagre. de um tamanho mistério chamado amor, convertido em vida.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
uma outra menina
e depois o que fica? o perdão vence ao olharmos para o menino. tudo passa no verbo que se faz carne. naquele olhar, naquela tranquilidade. uma criança apenas. como foi possível? como chegámos aqui? o que procurávamos? tudo passa no silêncio daquele milagre. de um menino sem voz que nos fala sem cessar. mesmo na nossa eterna surdez.
feliz natal. enquanto esperamos uma outra menina.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
outono, à tua espera
algumas folhas caem
e tu nasces
protegida do vento
não conheces a chuva
mas és feita de água e
nela respiras
abrigada do mundo
és a promessa
de um olhar puro
nem vento, nem chuva, nem mundo
e tu nasces
protegida do vento
não conheces a chuva
mas és feita de água e
nela respiras
abrigada do mundo
és a promessa
de um olhar puro
nem vento, nem chuva, nem mundo
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
os dedos de uma mão
um gesto simples
instantes de vida
os dedos de uma mão
«tu tens o meu nome clara rilke»
instantes de vida
os dedos de uma mão
«tu tens o meu nome clara rilke»
terça-feira, 9 de outubro de 2012
a alegria em um instante
a tua forma nas minhas lágrimas
um sorriso escondido
a promessa de uma vida
a alegria em um instante
um sorriso escondido
a promessa de uma vida
a alegria em um instante
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