domingo, 11 de fevereiro de 2007

o meu dia 11 (pt. 2)

não ouvi hoje a tua voz. não a ouço há tantos meses. porque haveria de chorar logo hoje, que é o meu aniversário? há dias de sol em que me levanto e estou só. e nesses dias também não te ouço. nem é preciso esperar pela hora de almoço para chover torrencialmente na cidade.

o meu dia 11

as pessoas morrem sem querermos. morrem a ritmos diferentes. em locais afastados ou dentro de nós. e é muito triste tudo isto nos ultrapassar. sermos demasiado impotentes. tu, por exemplo, demoraste dez anos a morrer. dez anos preenchidos em forma de sombra. de fumo vago.
a ruptura é hoje. agora que morreste não te posso mais ressuscitar. e o teu nome. e tudo o que é teu, vai ser inevitavelmente esquecido. se te recordar uma vez mais, virás na forma de um sonho. como se nunca tivesses existido. como se ainda não passasses de um desejo.

hoje faço anos

apetece-me dizer tanta coisa.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

das justificações e dos apelos ao "sim"

não tenho razões para o meu silêncio. tenho andado a fingir que faço uma dissertação de mestrado. tenho andado a fingir que estou atento à campanha do referendo do dia 11. mas não posso fingir (isso não posso) que vou votar sim.

apelo a que votem sim todos os que não aceitam que o estado não regule este problema de saúde pública. mesmo aqueles a quem as mulheres que decidem abortar lhes causam nojo ou as acusam de levianas e pseudo-deprimidas, apelo a que votem sim para acabarmos todos com este negócio sujo, com esta selvajaria que é o aborto clandestino. votar "não" é manter o que está. votar sim é querer a mudança. e eu quero mudar esta lei. eu não quero que no meu país as mulheres sejam presas por abortarem. eu não quero que no meu país elas possam abortar em vãos de escada, sem qualquer controlo, nem desencorajamento, nem apoio. tenho dito.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

o que eu mais queria

poder amar-te uma vez mais. poder ver-te uma vez mais.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

casa nova



atrás de mim as oliveiras. imensas.

notícia de última hora

ouvi dizer que a floribela vai acabar em breve.

a dúvida metódica



"Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.»
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»

João 20: 24-29
(o quadro é de caravaggio)

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

ano novo



não tendo cumprido o desejo que aqui formulei para 2005 (que acabou por se estender em vão para 2006), não vou formular qualquer desejo para 2007. não comi as passas. não parti nada para ter sorte. não sei se desejo alguma coisa para 2007. talvez ver mais vezes o mar. talvez. ainda não sei.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

humildade

"Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria.
Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida.
E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria.
Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.»

Lucas 2: 1-12

o natal é sempre um convite à simplificação da nossa vida.
um feliz natal para todos os leitores deste blogue e boas entradas no novo ano de 2007.

casita clara - paisagem



amadeo de souza-cardoso

1916. óleo sobre tela. 31 x 41 cm. centro de arte moderna josé de azeredo perdigão / fundação calouste gulbenkian

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

da carta de calcutá para 2007

"Os imensos problemas das nossas sociedades podem alimentar o derrotismo. Quando escolhemos amar, descobrimos um espaço de liberdade para criar um futuro para nós mesmos e para aqueles que nos são confiados.
Com poucos meios, Deus torna-nos criadores com ele, onde as circunstâncias não são favoráveis. Ir ao encontro do outro, por vezes de mãos vazias, escutar, tentar compreender; e eis que uma situação bloqueada se pode transformar.
Deus espera-nos naqueles que são mais pobres do que nós. «O que fizestes a um destes mais pequeninos, foi a mim que o fizestes.»
No Norte e também no Sul, enormes desigualdades alimentam o medo diante do futuro. Alguns, com coragem, consagram as suas energias a modificar estruturas de injustiça.
Interroguemo-nos, todos nós, sobre o nosso modo de vida. Simplifiquemos a nossa existência. E encontraremos disponibilidade e abertura do coração para com os outros."

irmão alois, de taizé

sábado, 25 de novembro de 2006

"a alma que eu tenho"

A alma que eu tenho
Cheia de tudo e nada
É incerta de tamanho
Início e fim da estrada.

O que sinto e amei
Ao longo da viagem
Esparsamente deixei
Da alma uma imagem.

O que por cá se quebrou
Estilhaços do coração
Foi alguém que amou
Fora da minha razão.

Esta viagem intermédia
Ponte da alma e do ser
É caminho bem lento
Para um mundo a haver.

ricardo pereira

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

compreender a incompreensão

o meu pai e eu partilhamos o mesmo hábito. quando alguém diz algo e não o entendemos, sorrimos, anuímos e seguimos em frente. se não me compreendem tantas e tantas vezes porque hei-de compreender sempre o que os outros me dizem. eu compreendo a incompreensão. e vivo bem com isso.

de repente

tive saudades de quando tinha namoradas que me ofereciam livros de poesia.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

do blogue que tem o nome que estive quase quase a escolher para ser o nome do meu blogue

os caros leitores sabem que não sou "blogosfeiro". não sou de mandar mensagens nem recados a toda a hora para os comparsas deste sub-mundo. mas há uma pessoa a quem não resisto a renovar as boas-vindas. amiga cláudia, seja bem-aparecida!

domingo, 19 de novembro de 2006

lazeira

durmo a tarde toda. profundamente. acordo e sorrio. lembro-me de pessoa e da alegria que pode ser "ter um livro para ler e não o fazer". descanso a cabeça. retempero as forças. é tão banal e tão essencial ao mesmo tempo. à moda da minha terra. uma tarde de lazeira. ou será lanzeira? tenho de investigar.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

dos outros

"(...)
- sabe carlos... com o tempo eu fui-me apercebendo que as pessoas sofrem muito e não precisam de nós para aumentar o seu sofrimento. viver é muito difícil, é muito breve e... as pessoas têm tantas coisas boas... talvez a minha bondade não seja muita mas... julgo que...
- esforça-se por encontrar mais bondade em si!
- acho que julgo que entendo sem julgar melhor. entendo sem julgar.
(...)"

antónio lobo antunes
entrevista a carlos vaz marques
programa "pessoal e... transmissível"
15 de novembro de 2006

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

era bom



ter a certeza que era assim. que a vida podia mudar num minuto. e o mundo lá fora me esperava. para travarmos um combate pela vida. e eu sair vencedor.

sábado, 11 de novembro de 2006

quando a saudade aperta

eu sinto amor



para o samuel mira, a.k.a. sam the kid, que parece que vai lançar um novo trabalho.