quinta-feira, 21 de maio de 2009

eu caminho e canto pela estrada fora

somos a fachada
de uma coisa morta
e a vida como que a bater à nossa
porta
quando formos velhos
se um dia formos velhos
quem irá querer saber quem tinha razão
de olhos na falésia
espera pelo vento
ele dá-te a direcção

a idade é oca e não pode ser motivo
estás a ver o mundo feito um velho
arquivo
eu caminho e canto pela estrada fora
e o que era mentira pode ser verdade
agora
se o cifrão sustenta a química da vida
porque tens ainda medo de morrer
faltará dinheiro
faltará cultura
faltará procura dentro do teu ser

diz-me se ainda esperas encontrar o
sentido
mesmo sendo avesso a vê-lo em ti
vestido
não tens de olhar sem gosto
nem de gostar sem ver
ninguém é quem queria ser

ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém

(manuel cruz - foge foge bandido)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

da reflexão a partir de uma notícia

jesus cristo, quando nos reunimos em teu nome, tu estás presente no meio de nós. tu, que sofreste e ressuscitaste, dás-nos a paz que nós não podemos dar a nós próprios. tu perdoas e tornas-nos livres; livres para amar.

para receber notícias como esta.

quinta-feira, 5 de março de 2009

reunion



Can you sleep as the sound hits your ears
One at a time?
An unspoken balance here
Unabridged for so many years
That I should stare at receivers to receive her
Isn't fair

Don't worry, I'll catch you
Don't worry, I'll catch you
Don't ever worry

Your arms in mine, any time
I wouldn't trade anything
You're still my everything
To my surprise, before my eyes
You arrive

Don't worry, I'll catch you
Don't worry, I'll catch you
Don't ever worry

Still breaking old habits
Habits
You pulled the wool over me
And I can see everything
Everything
Remembering "Jinx Removing"

No need for reminding
You're still all that matters to me

the get up kids - i'll catch you

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

dos (quase) trinta

começa-se o dia a ver o rio com o sol a invadir o rosto. descem-se empedrados pela lisboa mais bela. anda-se de eléctrico. estamos junto das pessoas. vemos recantos como pela primeira vez. tudo parece novo mas nunca saímos dali. entra-se assim no último ano antes de perfazer trinta finais de inverno. e um dia de sol como presente por esta dádiva.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

somos sempre depois outra coisa



como, por exemplo, uma canoa que desliza no rio.

do meu humanismo

de que vale ter uma nota máxima um dia, se o zero é o que merecemos - tantas vezes, quase todos os dias - perante aqueles de quem gostamos. um paradoxo insolvente. a merda de um vazio imenso.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

um inverno sem sinais de primavera

se não fosse a tua luz
e esse olhar que me conduz
simplesmente era mais um caso perdido
mas foi deus que te enviou
no meu caminho te pôs
para dares à minha vida outro sentido
para acalmares a minha dor
fazeres-me um homem melhor
para me dares a paz que eu nunca tinha tido
e por isso te digo

eu sem ti
quem era eu sem ti?
um eterno vagabundo à tua espera
eu sem ti
quem era eu sem ti?
um inverno sem sinais de primavera
eu era!

se não fosse ter-te aqui
eu seria até ao fim
cavaleiro andante de abrigo em abrigo
um amante sem amar
uma alma sem lugar
uma vida, um coração só e perdido
tu chegaste e eu me encontrei
nem pediste e eu fiquei
e então fui o homem que não tinha sido


tony carreira

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

feliz natal



a todos os que por aqui passam desejo um feliz natal. e paz, justiça e alegria para 2009. mais uma pedra no reino de deus.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

mykonos - 16 de agosto de 2008



mykonos tem uma chora lindíssima com ruas caiadas de branco e pavimento negro. a maioria das ruas são estreitas e com o piso muito irregular. é um sítio da moda, das altas classes, sobretudo italianas, e da omnipresente comunidade gay. ontem visitámos a paradise beach, completamente atulhada de gente e de bares que debitam house a partir das cinco da tarde. esta manhã fomos a delos, um sítio simplesmente soberbo. são tantas as coisas para apreciar na ilha-museu que o tempo que tínhamos não foi claramente suficiente.











segunda-feira, 17 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

onde está o inverno?



sobre o concerto de sigur rós no campo pequeno, no dia de s. martinho de 2008.
um alinhamento soberbo de duas horas, equilibrado, emotivo, triste e festivo, tudo ao mesmo tempo. como se isso fosse possível.
a melhor utilização da projecção de vídeos que alguma vez vi num concerto de música. gostei sobretudo das câmaras escondidas em diferentes locais do palco.
um público emocionado e respeitador.
um dos melhores concertos que já vi.

há magia naqueles quatro senhores. uma magia simples como tudo o que é belo. uma simplicidade atroz de tão pura e essencial. de tão pouco óbvia que é imediatamente presente no mais fundo de nós. uma linguagem talvez. uma linguagem de um mundo que ainda não conhecemos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

paros - 15 de agosto de 2008



estamos a bordo do velocíssimo seajet 2 a cortar ondas em mar alto. acabámos de sair de paros. chegámos no dia 13 e encontrámos logo um quarto que regateámos por bom preço. o senhor levou-nos até lá e enquanto esperávamos que nos limpassem o quarto, conhecemos um casal de italianos muito simpáticos que nos esteve a dizer quais eram as melhores praias. seguindo o seu conselho rumámos logo para naoussa onde almoçámos. naoussa é uma terra lindíssima à beira de um porto ladeado por uma muralha veneziana. depois fomos de taxi boat para kolimpitres onde passámos a tarde com a areia fina e o mar quente.







terça-feira, 11 de novembro de 2008

naxos - 12 de agosto de 2008



esta manhã visitámos o kastro e o templo de apolo, e voltámos para a praia. é curiosa a presença veneziana nesta ilha. a forma como estes aproveitaram a antiga acrópole e as suas pedras para construir o castelo e as casas em redor. visitámos uma loja de antiguidades espectacular e fomos então para o magnífico templo de apolo, com o seu arco inacabado a derramar sacralidade sobre o mar imenso.





sexta-feira, 7 de novembro de 2008

da sorte

a sorte de sermos amados é mesmo isto. sorte. não merecemos nada disto. o amor é uma graça sem resposta. nunca poderemos retribuir. só amar. ampliar esse amor até ao infinito que ultrapassa as nossas forças.

do nascimento e de um aniversário

não são as emoções que nos fazem chorar. são os gestos mais puros e mais límpidos. num dia tão subtil e frágil, senti a saudade mais funda e a alegria mais simples. afinal de contas, a c. nasceu. que a vida, a vida toda, seja sua. e por trás dos muros e das veredas esconde-se sempre a voz de um amigo. a amizade, que não é mais do que permanência e confiança, não tem fim. não pode ter fim.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

a bordo do romilda, mar egeu - 11 de Agosto de 2008



um homem pára no cimo das escadas
com uma mão apoiada no corrimão
sorri no segundo em que abro os olhos
como pode haver tanta gente a dormir
no chão ondulante deste navio - pergunta
não que eu ouvisse a sua voz
nem a de qualquer outra pessoa que
já passou por aqui e sorriu
mas sinto todas essas vozes
todos esses sorrisos que por aqui
aqueles que foram felizes passaram
porque neste chão neste barco nesta noite
estão todas essas vozes e sorrisos
que numa voz doce sussurram o nome
da liberdade de um abrir de braços
capaz de abraçar o mar e todas as
terras por onde passamos e
nunca ficamos
pois em todas as viagens que
experimentam a liberdade
há uma harmonia de vozes e sorrisos
de corpos deitados no chão da noite
embalados pelo romilda por todos
os navios e comboios que levam os
viajantes que não têm pressa de
chegar
que vão onde o vento os levar
e nesse ser alado repousam as suas
forças para poderem caminhar sorrir
fazer ouvir a voz da felicidade
da alegria de hoje estar aqui
e amanhã nada se poder repetir

porto de ios - 11 de agosto de 2008



já passa da meia noite. estamos no porto de ios e esperamos o barco para naxos que só chega às 3h20. chegámos a ios anteontem. nessa tarde fomos conhecer a fabulosa praia de milopotas com areia dourada, mar tranquilo e sol tórrido. à noite, na praça principal da chora, uma associação de cultura local oferecia comida e vinho enquanto decorria um concerto de música grega. os estrangeiros e os locais adoravam e dançavam mas eu bebi a minha conta de vinho e fomos dormir.